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A Toscana que se vive, não só se fotografa

“Toscana autêntica: turista caminhando por uma antiga vila de pedra durante uma experiência de turismo na Itália, longe dos lugares viralizados nas redes sociais.”

Na foto temos um turista caminhando por uma antiga cidade medieval de pedra , na Itália, durante uma experiência n longe dos lugares viralizados nas redes sociais.

Você pode ouvir o texto clicando no play abaixo.

Recentemente tivemos o privilégio de voltar à Toscana, um dos lugares que considero mais incríveis da Itália. No verão, o clima se assemelha bastante ao do nosso Nordeste brasileiro.  

Voltar à Toscana é sempre nostálgico. Meu primeiro contato com a região foi em 2013, durante a lua de mel. Guardo até hoje, bem de perto, Florença, Pisa, Vinci, Siena e Volterra — nas lembrancinhas que trouxemos e nas fotos que imortalizamos.

O desejo de conhecer a região nasceu de um clipe que assisti há anos: “Resta qui”, do tenor Andrea Bocelli. Aquela paisagem bucólica de uma cidade de pedra, o poço no meio da praça e a voz do tenor ecoando em um borgho italiano ficaram gravados na minha mente muito antes de eu vir morar na Itália. Sou totalmente suspeita para falar da Toscana.

Há algumas semanas voltamos para passar as férias e, ao mesmo tempo, fazer algumas filmagens. Queríamos entender como anda o turismo depois do boom nas redes sociais e o que esse excesso de fotos “instagrámáveis” realmente influenciou na vida local.

Em parte nos decepcionamos; em outra, nos alegramos. Vimos jovens empreendedores preparados para receber turistas, imprensa e profissionais de comunicação. Por outro lado, encontramos uma realidade mais fechada, fruto de problemas reais causados por quem chega apenas com a câmera. Muitos profissionais do trade já sabem diferenciar claramente uma empresa de comunicação — que respeita e publiciza o local de forma ética — de um “influenciador” que, por ter milhares de seguidores, acredita que pode invadir propriedades, entrar em lojas sem permissão, desrespeitar pessoas ou barganhar permutas.

O Direto da Itália sempre pagou por suas experiências. Como empresa brasileira de turismo e comunicação, fazemos questão de ser éticos e de passar informações corretas.

Encontramos uma parte do setor cansada de quem fotografa, viraliza e gera prejuízo; de quem não pede autorização e já entra filmando, expondo pessoas sem respeitar a **Lei da Privacy italiana**. Essa legislação, baseada no GDPR (Regolamento UE 2016/679, recebido na Itália pelo D.Lgs. 101/2018) e na Legge sul diritto d’autore (artigos 96 e 97), determina que o retrato de uma pessoa não pode ser exposto, reproduzido ou usado comercialmente sem consentimento, salvo exceções específicas. Filmar ou fotografar pessoas identificáveis sem autorização, especialmente para redes sociais, pode configurar violação de dados pessoais.

Casal sentado em banco de madeira sob pinheiros contemplando a paisagem das colinas da Toscana em dia ensolarado

Na foto, a Toscana que se vive, não só se fotografa. Momentos reais, longe do excesso de conteúdo das redes sociais.

Aqui se separa bem o trabalho de profissionais da comunicação do de muitos influencers. Análises de relações públicas e comunicação mostram que o profissional costuma ter formação, ética e foco em credibilidade de longo prazo. Já o influencer, em muitos casos, atua principalmente pelo alcance e pelo engajamento imediato. A confusão entre os dois tem gerado atritos reais.

Dados de destinos italianos ilustram o problema. Na Costa Amalfitana, residentes relatam que o excesso de conteúdo em redes sociais transformou vilarejos em “parques temáticos”. Em Veneza, Florença e no Lago de Como, o overtourism amplificado por posts virais elevou aluguéis, reduziu a oferta de moradia e gerou fadiga local. Casos de invasão de propriedades e gravações sem permissão têm aumentado a desconfiança.

Alerta a quem deseja vir à Itália e trabalhar dessa forma: respeite a propriedade privada, peça autorização antes de filmar, não invada espaços, não exponha pessoas sem consentimento e não exija nada de graça. Quem age com ética encontra portas abertas. Quem não o faz, encontra portas fechadas — e com razão.

Visita a fábrica do Mulino Val d'Orcia na Toscana.

Marco Lamb com a guia bilíngue (Inglês e Espanhol) a Sra. Martina Giannetti, durante o tour guiado na fábrica do Mulino Val d’Orcia, Toscana.

Vale reforçar que nosso intuito não é atacar a figura do influenciador. Existem influenciadores sérios e éticos que trabalham com respeito e responsabilidade. Nossa crítica se dirige especificamente àqueles que desrespeitam propriedades, pessoas e as regras locais.

Apesar desses atritos, o que encontramos de melhor na Toscana foram exatamente os produtores que entenderam o valor de uma comunicação ética e verdadeira.  

O Mulino Val d’Orcia (Amadeo Grappi) e a empresa agrícola Nenci (Paolo Nenci) são exemplos nesse campo.

Sr. Amadeo Grappi, proprietário da empresa agrícola Mulino Val d'Orcia.

Na foto, o proprietário do Mulino Val d’Orcia, Sr. Amadeo Grappi, no interior da fábrica.

O Mulino Val d’Orcia oferece ao público um percurso guiado pela fábrica (que pode ser adquirido no site da empresa). O viajante amante de pasta italiana acompanha todo o processo de produção da pasta bio: da seleção dos grãos à técnica de cultivo, armazenamento, maquinário, formatos e tipos de massa, até o produto final — com explicações em italiano, inglês e espanhol. Uma experiência sensacional, que pode terminar (como foi o nosso caso) no restaurante da irmã do proprietário, o Castello di Spedaletto, de Laura. O restaurante fica em um castelo medieval e serve a pasta e os pães que o visitante acabou de ver sendo produzidos — agora com um sabor ainda mais especial por conhecer a origem dos grãos. Ao lado há uma loja charmosa onde é possível adquirir os produtos do Mulino para fazer em casa receitas tipicamente italianas. Tudo o que é servido no restaurante, do vinho à sobremesa, é de produção própria. Simplesmente perfeito: uma experiência completa, da seleção dos grãos à mesa.

Clique na imagem abaixo para acessar o site da empresa Mulino Val d’Orcia.

Sr. Paolo Nenci, proprietário da Empresa Agrícola Nenci, localizada na Toscana em Chiusi.

Na foto, o Sr. Paolo Nenci, proprietário da empresa agrícola Nenci, no espaço de degustação.

A empresa agrícola Nenci também tem seu diferencial. Mesmo sendo menor que as grandes da região, no local das degustações há um espaço exclusivo para quem viaja de motorhome, com infraestrutura completa para estacionar com segurança e degustar um bom vinho acompanhado de tábua de frios de produtores locais e parceiros. O Sr. Paolo Nenci nos contou que a empresa foi fundada pelo avô, hoje com 93 anos, e que as técnicas de cultivo das vinhas mudaram muito ao longo do tempo. A Nenci produz cervejas artesanais, vinhos para diferentes paladares, mel e azeite de oliva. Foi premiada no AgriNext Awards&Conference em Dubai, em 2024, pelo azeite extra virgem (que, infelizmente, estava esgotado e não pudemos provar).

Imagem do premio que a empresa agricola Nenci ganhou em Dubai.

Na foto, o prêmio concedido à empresa agrícola italiana Nenci, em Dubai.

Os pacotes de degustação podem ser reservados no site e têm preços acessíveis e opções variadas. O local é íntimo e menor que os grandes espaços de degustação. O grande diferencial é conversar com quem realmente produz o azeite, o vinho e a cerveja artesanal, entendendo o processo desde a semeadura até o produto final. O Sr. Paolo é pesquisador, busca constantemente diferenciais e fala inglês com fluência. Os acompanhamentos são abundantes, locais e deliciosos por serem frescos. Uma experiência que recomendamos fortemente.

Clique na imagem abaixo para acessar o site da empresa Nenci.

Marco Lamb no restaurante Castello di Spedaletto, de Laura, degustando dos produtos do Mulino Val d'Orcia.

Na foto, Marco Lamb degustando produtos frescos do Mulino Val d’Orcia no Castello di Spedaletto, de Laura.

Concluo dizendo que turismo de experiência de verdade é aquele que não apenas marca uma viagem, mas permanece depois de uma boa conversa com quem produz. É quando se aprende a respeitar a história de cada família e o caminho de cada nova geração.

Nós saimos enriquecidos de alma de cada lugar. Foram experiências maravilhosas!

Aqui vai uma versão mais emocional:

Se a experiência que você viveu não te tocou, não deixou nenhum eco dentro de você, não mudou nem que fosse um detalhe na forma como você enxerga o mundo… então não foi experiência. Foi só passagem.

Porque uma viagem de verdade não se guarda só na memória das fotos. Ela fica na pele, no olhar, no jeito de voltar para casa diferente.

É por isso que insistimos tanto: comunicação e turismo só fazem sentido quando existem respeito e verdade. Só assim o encontro se transforma em algo que permanece.

Fontes consultadas:

– Italy Recording Laws 2025: One-Party Consent, Penalties and GDPR – https://www.recordinglaw.com/world-laws/world-recording-laws/italy-recording-laws/  

– GDPR e fotografia, ecco tutte le regole per non sbagliare – Cyber Security 360 – https://www.cybersecurity360.it/legal/privacy-dati-personali/gdpr-e-fotografia-ecco-tutte-le-regole-per-non-sbagliare/  

– Image Releases in Italy – DANDI – https://www.dandi.media/en/privacy-rights-release/  

– Privacy | Riprese in luoghi pubblici – Soardi Studio Legale – https://www.soardistudiolegale.it/2024/08/24/privacy-riprese-in-luoghi-pubblici-una-guida-completa-tra-diritti-doveri-e-giurisprudenza/  

– The New PR: ‘Influencism’ Versus Journalism – Forbes – https://www.forbes.com/councils/forbescommunicationscouncil/2022/05/25/the-new-pr-influencism-versus-journalism/  

– How Influencer Relations Differ from Public Relations – HMI Marketing – https://hmi.marketing/how-influencer-relations-differ-from-public-relations/  

– Did Influencers ruin the Amalfi Coast? – Vancouver Sun – https://vancouversun.com/travel/did-influencers-ruin-the-amalfi-coast  

– How Mass Tourism Is Swallowing Lake Como – Worldcrunch – https://worldcrunch.com/food-travel/lake-como-overtourism-italy/  

– Negative influencers – The problem of overtourism in Italy – Segmento – https://www.segmento.com.au/post/negative-influencers-the-problem-of-overtourism-in-italy

A Toscana que se vive, não só se fotografa

Direto da Itália faz parte do Connection Amigos do Turismo: uma conexão que nos enche de orgulho

Logo oficial do Connection Amigos do Turismo / foto: Divulgação

Existem conquistas profissionais que vão muito além de um título ou de uma parceria. São momentos que nos fazem olhar para a nossa trajetória e perceber que todo o caminho percorrido valeu a pena.

É com esse sentimento que o Direto da Itália anuncia sua participação no Connection Amigos do Turismo, uma rede que conecta profissionais de diferentes áreas e regiões em torno de uma paixão em comum: o turismo.

O Connection reúne profissionais que vivem o turismo na prática, entre empresários, agentes de viagens, guias, gestores, comunicadores, pesquisadores, professores e especialistas que trabalham diariamente para fortalecer o setor. A proposta da rede é justamente criar conexões, compartilhar conhecimento, abrir oportunidades e valorizar quem faz o turismo acontecer.

Uma conexão especial entre Brasil e Itália

Para nós, essa participação tem um significado ainda maior.

O Direto da Itália é o único representante na Itália a fazer parte dessa rede, o que nos permite levar para dentro do Connection um pouco da nossa experiência vivendo e trabalhando com turismo na Itália e, ao mesmo tempo, aproximar nosso trabalho de profissionais que atuam em diferentes áreas do turismo brasileiro.

É uma ponte que nos deixa especialmente felizes: Brasil e Itália conectados pelo turismo, pela experiência e pelo conhecimento.

Nosso trabalho nasceu justamente desse propósito. Mostrar uma Itália real, rica em cultura, gastronomia, história, vinhos, destinos e experiências, aproximando o viajante brasileiro de tudo aquilo que torna esse país tão especial e agora, essa conexão ganha uma nova dimensão.

Pessoas que fazem o turismo acontecer

Ana Carla Moura, Diretora do Connection Amigos do Turismo/Foto: Divulgação

Uma das coisas que mais nos emociona no Connection é encontrar profissionais com histórias, experiências e conhecimentos tão diferentes.

A rede reúne especialistas, professores, pesquisadores e profissionais que desenvolvem projetos, participam de eventos e compartilham conhecimento por meio de palestras e capacitações. A própria trajetória da fundadora, Ana Carla Moura, está profundamente ligada ao turismo, à hotelaria, à docência, à gestão pública e às políticas públicas de turismo.

Por isso, estar entre essas pessoas representa para nós uma grande responsabilidade e, ao mesmo tempo, uma grande alegria.

Nosso agradecimento

Queremos parabenizar e agradecer Ana Carla Moura, idealizadora do Connection Amigos do Turismo, pela criação de uma rede que entende algo essencial: o turismo é feito de pessoas e, quando essas pessoas se conectam, novas possibilidades surgem e para o Direto da Itália, fazer parte dessa história é uma honra.

Seguiremos levando nossa experiência, nossa paixão pela Itália e nosso compromisso com o turismo para essa rede, enquanto continuamos aprendendo com tantos profissionais que dedicam suas vidas ao desenvolvimento do setor.

Essa é uma nova conexão na nossa caminhada e temos certeza de que muitas outras histórias, projetos e oportunidades ainda nascerão dela.

Direto da Itália e Connection Amigos do Turismo: duas pontas de uma mesma ponte, unidas pelo turismo.

Conheça melhor as redes sociais do Connection Amigos do Turismo

Para conhecer melhor o projeto, seus profissionais, eventos e iniciativas, visite o site oficial do Connection Amigos do Turismo:

Connection Amigos do Turismo – site oficial

Você também pode acompanhar o trabalho da rede pelas redes sociais:

Instagram – @connectionamigosdoturismo

YouTube – Connection Amigos do Turismo

Direto da Itália faz parte do Connection Amigos do Turismo: uma conexão que nos enche de orgulho

Por que os lagos italianos se tornaram protagonistas do turismo na Itália em 2026?

Vista para o Lago de Como da aldeia de Varenna na Itália/Arquivo pessoal

Durante muito tempo, quando se falava em uma viagem para a Itália, os primeiros destinos que vinham à mente eram Roma, Veneza e as famosas cidades da Toscana. Em 2026, porém, outro cenário vem conquistando cada vez mais espaço entre os viajantes: os lagos italianos.

Do Lago di Garda ao Lago di Como, passando pelo Lago Maggiore e por destinos menos conhecidos, o turismo lacustre ganhou força e se tornou uma das tendências mais interessantes do turismo italiano.

Mas por que os lagos estão atraindo tantos visitantes?

A resposta está em uma combinação que a Itália sabe oferecer como poucos países: paisagens impressionantes, cidades históricas, gastronomia, atividades ao ar livre e uma experiência de viagem que pode ser, ao mesmo tempo, sofisticada e tranquila.

O turismo nos lagos italianos está em crescimento

O interesse é que os destinos lacustres não surgiram por acaso.

Dados oficiais do ISTAT, o Instituto Nacional de Estatística da Itália, mostram a importância internacional desse segmento. Em 2024, os municípios italianos classificados como destinos de turismo lacustre registraram mais de 18,7 milhões de presenças turísticas, e os visitantes estrangeiros representaram 82,2% desse total. Isso demonstra como os lagos italianos possuem uma forte capacidade de atrair viajantes internacionais.

Além disso, o turismo na Itália continuou crescendo em 2026. Segundo o Instituto citado acima, no primeiro trimestre do ano, as presenças turísticas cresceram 7,5% em relação ao mesmo período de 2025, impulsionadas principalmente pelo aumento da presença de turistas estrangeiros.

Esse crescimento ajuda a explicar por que destinos que oferecem experiências diferentes das grandes cidades estão ganhando cada vez mais atenção.

Fonte oficial:

ISTAT – Fluxos turísticos na Itália em 2026

ISTAT – Turismo na Itália e destinos lacustres

Lago di Garda e Lago di Como estão entre os grandes protagonistas

Entre os lagos mais conhecidos, dois nomes se destacam: Lago di Garda e Lago di Como.

O Lago di Garda, o maior lago da Itália, oferece uma grande variedade de experiências. É possível encontrar pequenas cidades históricas, praias, atividades esportivas, parques, gastronomia e vinhos. Essa diversidade permite que o destino atraia casais, famílias e viajantes interessados em turismo ao ar livre.

Já o Lago di Como se tornou mundialmente conhecido por suas paisagens, vilas históricas e hotéis sofisticados. Mas o destino não é procurado apenas pelo turismo de luxo. Muitas pessoas visitam a região para conhecer cidades como Bellagio, Varenna e Como, utilizar os barcos que conectam diferentes localidades e descobrir uma Itália marcada pela beleza natural.

Clique aqui para assistir aos vídeos de Varenna e Bellagio em nosso canal no YouTube:

Em 2026, a procura pelos destinos lacustres do Norte da Itália também aparece como um dos sinais mais claros da força desse segmento, especialmente com a presença crescente de visitantes estrangeiros.

Os viajantes estão procurando experiências mais completas

Uma das razões para o crescimento do turismo nos lagos italianos é a mudança no comportamento dos viajantes.

Hoje, muitas pessoas não procuram apenas visitar monumentos ou tirar fotografias diante dos pontos turísticos mais famosos. Existe um interesse crescente por viagens que ofereçam mais contato com a natureza, gastronomia local e experiências ao ar livre.

Nos lagos italianos, é possível reunir tudo isso em uma única viagem.

O visitante pode passar a manhã conhecendo um centro histórico, almoçar em um restaurante com produtos regionais, fazer um passeio de barco durante a tarde e terminar o dia em uma pequena aldeia de pescadores à beira do lago.

Essa diversidade é uma das grandes vantagens do turismo lacustre.

Vista da o Lago de Como de Varenna da Villa Cipressi/Arquivo pessoal

Uma alternativa às grandes cidades mais movimentadas

Outro aspecto que ajuda a explicar essa tendência é o desejo dos viajantes de conhecer uma Itália diferente dos roteiros turísticos mais tradicionais.

Os destinos mais tradicionais continuam sendo escolhas extraordinárias e fundamentais, especialmente para quem visita a Itália pela primeira vez. No entanto, muitos viajantes estão buscando novas experiências e alternativas para ampliar o roteiro pelo país e os lagos permitem conhecer outra face do país.

O Lago Maggiore, por exemplo, combina paisagens naturais, jardins e cidades elegantes. O Lago d’Iseo oferece uma atmosfera diferente e pode ser uma alternativa interessante para quem deseja explorar destinos menos conhecidos. Já outros lagos italianos proporcionam experiências mais tranquilas e próximas da natureza.

Isso não significa que os lagos estejam livres do turismo intenso. Pelo contrário: alguns destes destinos também enfrentam períodos de grande movimento. A diferença é que o viajante pode encontrar mais possibilidades para criar roteiros personalizados.

Os lagos não são apenas destinos de verão

Embora o verão continue sendo uma das épocas mais procuradas, os lagos italianos oferecem experiências que podem vir a ser interessantes durante outras estações para o viajante.

Na primavera, as paisagens começam a ganhar cores e o clima costuma ser agradável para passeios inclusive de bicicleta.

No outono, muitas regiões oferecem experiências ligadas à gastronomia, aos vinhos e às tradições locais.

Viajar fora da alta temporada também pode permitir uma experiência diferente, com menor movimento em determinados períodos. No entanto, é sempre importante verificar o funcionamento de hotéis, restaurantes, barcos, o tempo, e atrações antes de organizar a viagem.

O que explica o sucesso dos lagos italianos em 2026?

Os lagos italianos se tornaram protagonistas porque oferecem exatamente o que muitos viajantes procuram atualmente: paisagens naturais, cidades históricas, gastronomia italiana, experiências ao ar livre, passeios de barco, hotéis e opções variadas de hospedagem, além de destinos sofisticados ou mais tranquilos e diferentes possibilidades para que cada viajante monte o seu próprio roteiro.

A força do turismo internacional também é um fator importante. O número de visitantes estrangeiros continua crescendo na Itália, e os destinos lacustres apresentam uma presença internacional particularmente relevante nos dados oficiais, como vimos no início desta matéria.

Vale a pena incluir um lago italiano no roteiro?

Para quem está planejando uma viagem à Itália, a resposta é simples: tudo depende do seu estilo de viagem, mas incluir um dos lagos italianos no roteiro pode valer muito a pena.

Quem procura luxo e paisagens famosas pode se encantar com o Lago di Como. Quem deseja uma maior variedade de atividades pode encontrar no Lago di Garda uma excelente opção. Já quem busca uma experiência elegante e cultural pode explorar o Lago Maggiore. E aqueles que desejam fugir dos roteiros mais tradicionais podem descobrir lagos menores e cidades menos conhecidas. Em resumo, a Itália oferece lagos para todos os gostos e diferentes tipos de experiências.

Em 2026, os lagos italianos deixaram ainda mais claro que a Itália vai muito além das grandes cidades e dos cartões-postais mais famosos, como sempre destacamos por aqui.

Talvez seja justamente essa a razão de seu sucesso: nos lagos, o viajante encontra uma combinação de paisagens, cultura, gastronomia e tempo para descobrir uma Itália diferente.

E essa Itália continuará surpreendendo todos aqueles que decidirem olhar além dos destinos mais conhecidos.

Por que os lagos italianos se tornaram protagonistas do turismo na Itália em 2026?

A Itália está ficando lotada demais? O que o turista precisa saber antes de viajar em 2026

Rose Lucena em um campo de girassóis na Toscana. Foto: Arquivo pessoal/Direto da Itália.

A Itália continua entre os destinos mais desejados pelos viajantes. E os números de 2026 deixam isso bastante claro.

Somente em julho, o país registrou 4,4% mais pernoites turísticos do que no mesmo mês de 2025. As chegadas também cresceram 4,5%, com destaque para os visitantes estrangeiros. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Turismo da Itália.

Segundo o ISTAT, instituto oficial de estatísticas da Itália, o primeiro trimestre de 2026 registrou 23 milhões de chegadas e 71,6 milhões de pernoites, com aumentos de 4,2% e 7,5%, respectivamente, em relação ao mesmo período do ano passado. Os números mostram que o interesse pela Itália continua forte, especialmente entre os viajantes estrangeiros.

Mas existe um detalhe que merece a atenção de quem está planejando uma viagem em 2026.

Alguns dos destinos mais famosos do país estão começando a sentir os efeitos dessa enorme procura. Em determinados lugares, o número de visitantes já é tão grande que autoridades locais estão adotando novas regras para organizar o turismo e proteger o patrimônio e a vida dos moradores.

Isso significa que a Itália está “lotada”? Não necessariamente.

O problema está principalmente na concentração de turistas em determinados lugares, muitas vezes nos mesmos horários e durante os mesmos períodos do ano e entender isso pode fazer uma grande diferença na sua próxima viagem.

O problema está nos destinos mais disputados

Imagine uma pequena cidade, uma rua estreita ou um mirante que, durante anos, recebeu um número relativamente pequeno de visitantes. Em pouco tempo, uma fotografia daquele lugar viraliza nas redes sociais.

De repente, milhares de pessoas querem conhecer exatamente o mesmo ponto, tirar a mesma fotografia e voltar para casa.

As Dolomitas são um bom exemplo dessa transformação. A Reuters mostrou como a popularidade nas redes sociais, principalmente no Instagram e no TikTok, vem aumentando a pressão sobre algumas áreas da região, provocando congestionamentos, desgaste de trilhas e pressão sobre a infraestrutura local.

O problema não é o turista que chega, aprecia a paisagem e segue seu caminho.

O desafio aparece quando uma localidade pequena precisa receber diariamente uma quantidade de pessoas muito superior à sua estrutura.

Por isso, algumas medidas que parecem restritivas à primeira vista têm, na verdade, o objetivo de preservar esses lugares.

O Corriere della Sera, na seção de viagens, explica que destinos turísticos estão adotando diferentes medidas para combater o chamado overtourism, incluindo limites, reservas e regras específicas para determinados grupos.

Em Capri, por exemplo, os grupos turísticos organizados passaram a ter regras específicas para controlar seu tamanho e o uso de equipamentos de áudio. Já Veneza também possui seu sistema de acesso para determinados visitantes, enquanto outras cidades e áreas turísticas estão adotando medidas próprias.

Isso não significa que o turista não seja bem-vindo. Significa que a Itália está tentando encontrar uma maneira de continuar recebendo visitantes sem transformar seus lugares mais frágeis em grandes corredores turísticos.

Ainda vale a pena conhecer os lugares famosos?

A resposta é sim. E, se você sonha em conhecer o Lago de Como, visitar Florença e Roma, conhecer Capri ou admirar as Dolomitas, não precisa abandonar o seu sonho por causa do turismo de massa.

A questão é como você organiza a viagem, já que um dos maiores erros é montar um roteiro inteiro pensando apenas nos pontos turísticos mais famosos e tentar conhecer todos eles nos horários de maior movimento.

Nesse caso, uma pequena mudança pode melhorar muito a experiência. Por exemplo: em vez de chegar a um destino famoso ao meio-dia, quando excursões e grupos turísticos estão chegando, considere começar o passeio mais cedo e, se possível, passe uma noite no próprio destino. Isso permitirá que você conheça o lugar no início da manhã ou no final da tarde, quando muitos visitantes que fazem apenas um passeio de algumas horas já foram embora.

Outra possibilidade é escolher períodos menos concorridos, sempre levando em consideração o clima, os horários de funcionamento das atrações e o tipo de experiência que você procura.

A ideia não é deixar de conhecer aquilo que você sonhou. É simplesmente viajar com mais planejamento.

Rose Lucena em Vinci, na Toscana, terra de Leonardo da Vinci. Foto: Arquivo pessoal/Direto da Itália.

Existe uma Itália muito além dos cartões-postais

E aqui está uma das melhores notícias para quem pretende viajar pelo país: a Itália possui uma quantidade enorme de cidades pequenas, vilarejos, áreas rurais, regiões vinícolas, lagos, montanhas e destinos que ainda não fazem parte do roteiro da maioria dos turistas estrangeiros.

Os dados mais recentes do Ministério do Turismo italiano mostram justamente uma tendência interessante: os pequenos municípios também estão crescendo no turismo. No primeiro semestre de 2026, algumas das maiores altas nas pernoites foram registradas na Calabria, no Abruzzo e no Piemonte. Isso mostra que o turismo italiano não está crescendo somente nas grandes cidades e revela uma excelente oportunidade para quem está planejando uma viagem.

Você não precisa abandonar Roma, Veneza ou Florença. Pode simplesmente acrescentar uma Itália diferente ao seu roteiro: uma pequena cidade, uma região produtora de vinho, um restaurante familiar, uma paisagem que não aparece em todos os guias turísticos ou até mesmo uma viagem de trem para uma cidade que você nunca tinha considerado.

Muitas vezes, são justamente esses momentos que acabam se transformando nas melhores lembranças da viagem.

Como viajar melhor pela Itália em 2026?

Se você está planejando viajar para a Itália, algumas atitudes simples podem evitar dores de cabeça.

Pesquise antes de chegar, já que as regras não são iguais em todas as cidades. Um destino pode ter cobrança de acesso, outro pode exigir reserva e outro pode impor regras específicas para grupos ou determinados espaços.

Reserve com antecedência aquilo que realmente importa. Museus, monumentos, atrações muito procuradas e alguns passeios podem ter horários limitados ou grande procura, principalmente durante o verão.

Evite concentrar tudo no horário de maior movimento. Começar o dia mais cedo pode fazer uma diferença enorme.

Não monte seu roteiro somente pelo Instagram ou TikTok, já que uma fotografia viral pode transformar um lugar tranquilo em um dos pontos mais movimentados da região.

Considere dormir nos destinos mais procurados, pois, em alguns casos, passar uma noite pode proporcionar uma experiência completamente diferente de chegar, tirar algumas fotos e ir embora poucas horas depois.

E, principalmente, deixe algum espaço para descobrir a Itália sem pressa.

O turismo italiano continua crescendo. Em julho de 2026, por exemplo, o Ministério do Turismo registrou mais de 4 milhões de pernoites adicionais em comparação com julho de 2025. A ocupação dos meios de hospedagem também permaneceu elevada durante o verão, especialmente na semana do Ferragosto.

Isso significa que o planejamento será cada vez mais importante.

A Itália não precisa de menos turistas. Precisa de um turismo melhor distribuído

Talvez essa seja a melhor maneira de entender o que está acontecendo, já que o país vive um momento de forte crescimento turístico. Neste caso, o que muda é a percepção de que alguns lugares simplesmente não conseguem receber um número cada vez maior de visitantes da mesma maneira que recebiam no passado. Para quem viaja, isso pode parecer uma dificuldade, mas também pode ser uma oportunidade.

Talvez você descubra que a Itália mais interessante não está necessariamente naquele lugar que aparece todos os dias nas redes sociais, como falamos anteriormente. Ela pode ser encontrada na simplicidade de uma pequena praça, em uma estrada cercada por vinhedos, em um almoço demorado em uma osteria rústica, em uma conversa com um morador local que sempre tem uma história para contar ou em um borgo italiano onde quase ninguém do seu grupo de amigos esteve.

Os grandes cartões-postais continuam lá e certamente merecem ser conhecidos, mas a Itália é muito maior do que eles.

E, em 2026, viajar bem pelo país talvez signifique justamente isso: conhecer os lugares que você sempre sonhou visitar, mas também permitir-se descobrir aqueles que ainda não estavam no seu roteiro, viver uma experiência diferente e sair transformado.

Essa pode ser a diferença entre simplesmente conhecer a Itália e realmente viver uma experiência italiana.

Permita-se viver!

Fotos: Divulgacão | Direto da Itália

A Itália está ficando lotada demais? O que o turista precisa saber antes de viajar em 2026

Foto: Divulgação | Direto da Itália – Lago de Braies

Talvez você já tenha imaginado sua viagem à Itália muitas vezes.

Uma fotografia diante do Coliseu, uma caminhada pelas ruas de Veneza, a Ponte Vecchio, em Florença, uma praça histórica, uma fonte famosa, uma paisagem que parece ter saído de um cartão-postal. E, sinceramente, não há nada de errado nisso.

Roma continua sendo Roma, Veneza continua fascinante e Florença continua guardando alguns dos maiores tesouros da arte mundial.

Mas existe uma pergunta que começa a fazer cada vez mais sentido para quem pensa em viajar pela Itália:

E se a experiência que você procura estiver justamente em outras cidades que nem sequer aparecem nos roteiros turísticos convencionais?

É nesse ponto que entra uma palavra que talvez você ainda não tenha ouvido muito: undertourism.

O conceito vem ganhando espaço no turismo italiano nos últimos anos e ajuda a explicar uma mudança interessante no comportamento dos viajantes: a procura por lugares menos congestionados, experiências mais próximas da cultura local e destinos que, muitas vezes, ficam fora dos roteiros mais tradicionais.

E o mais interessante é que essa mudança não acontece apenas no discurso.

Dados recentes mostram que os pequenos municípios italianos podem ter um papel cada vez maio

O que é undertourism?

De maneira simples, undertourism é a procura por destinos menos disputados pelo turismo de massa.

Em vez de concentrar toda a viagem nas cidades e atrações mais famosas, o viajante também começa a olhar para pequenos municípios, cidades menores, áreas rurais, regiões montanhosas e territórios onde a experiência turística está mais ligada à vida cotidiana.

Entretanto, há uma diferença importante. Undertourism não significa simplesmente procurar um lugar vazio.

A ideia é se aproximar do lugar, das pessoas e das histórias que fazem parte dele. É conhecer um produtor de vinho, entrar em uma pequena oficina artesanal, provar uma receita tradicional preparada por quem vive naquela região, caminhar por um borgo histórico ou simplesmente passar alguns dias em uma cidade pequena, sem a sensação de estar correndo de uma atração para outra.

É desacelerar. É menos sobre “onde ninguém está” e mais sobre “o que posso viver e levar de transformador daqui?”

E talvez seja justamente isso que esteja tornando essa tendência, na Itália, tão interessante.

Foto: Divulgação | Direto da Itália


O turista está procurando uma Itália diferente?

Um levantamento divulgado pela Confartigianato em agosto de 2026 aponta que 21,3% dos turistas demonstram preferência por experiências de viagem longe das áreas mais movimentadas e por destinos menores, mostrando também interesse pelo artesanato, pelas empresas e pelas produções locais. (Confartigianato Imprese)

O número chama atenção porque mostra que o interesse por esse tipo de viagem já representa uma parcela relevante dos viajantes. E aqui existe algo que vale a pena observar: talvez o turista não esteja deixando de gostar dos grandes destinos. Ele simplesmente esteja começando a perceber que a Itália não termina nos lugares que aparecem primeiro nas pesquisas na internet ou nas fotografias mais compartilhadas nas redes sociais.

A Itália que ganha destaque nas redes é apenas uma parte de um país com uma história milenar. Por trás dela, existe uma outra Itália, formada por pequenas cidades, comunidades locais com grande potencial turístico, produtores, artesãos, restaurantes familiares que preservam tradições, paisagens rurais, montanhas, vinhedos e costumes que continuam fazendo parte da vida cotidiana do país.

É essa Itália que o undertourism ajuda a colocar em evidência — e que nós, particularmente, tanto apreciamos.

Pequenos municípios: uma força que muita gente ainda não percebeu

Em janeiro de 2026, uma análise do instituto Demoskopika, divulgada pela ANSA, estimou que mais de 2.600 pequenos municípios italianos com vocação turística poderiam registrar mais de 21,3 milhões de chegadas e cerca de 79,9 milhões de presenças ao longo do ano. (ANSA.it)

As estimativas representavam um crescimento de 5,3% nas chegadas e 6,9% nas presenças em relação a 2025, com uma permanência média estimada em 3,7 dias. (Demoskopika)

Mas há um dado ainda mais interessante para entender a dimensão desse movimento. Quando considerados em conjunto, esses pequenos municípios poderiam alcançar volumes de turismo comparáveis aos registrados por cinco grandes cidades italianas muito conhecidas: Verona, Veneza, Florença, Roma e Nápoles. (Demoskopika)

Isso não significa, evidentemente, que uma pequena cidade italiana, individualmente, receba o mesmo número de visitantes que Roma ou Veneza. A comparação considera o conjunto desses pequenos municípios.

E é justamente aí que está a surpresa: o turismo fora dos grandes centros está longe de ser pequeno quando olhamos para ele como um todo.

Então estamos diante de uma nova Veneza?

Não. E seria um erro interpretar o undertourism dessa maneira, já que a proposta não é transformar pequenos municípios em novas versões das cidades que já sofrem com grandes concentrações de visitantes.

Aliás, isso acabaria reproduzindo o mesmo problema em outro lugar. A grande oportunidade está justamente em fazer diferente, distribuindo os fluxos turísticos pelo território de maneira mais equilibrada e permitindo que os benefícios cheguem também às comunidades que tradicionalmente ficam fora dos principais circuitos.

Isso pode significar mais movimento para restaurantes, hospedagens, produtores, lojas, artesãos, guias e pequenos negócios. Mas existe também outro aspecto que não aparece apenas nos números: a experiência do viajante e a maneira como ele passa a perceber e se relacionar com o lugar que visita.

Uma pesquisa divulgada pela ANSA em julho de 2026 ajuda a dimensionar esse potencial. Segundo o estudo apresentado no encontro da Confturismo, existem 2.137 municípios de áreas internas com vocação turística, mas apenas cerca de 16% deles — aproximadamente 350 municípios — conseguem atualmente expressar seu potencial de maneira considerada eficaz. (ANSA.it)

A estimativa é que um crescimento sustentável dos fluxos nesses territórios possa gerar, nos próximos cinco anos, cerca de 1,6 bilhão de euros adicionais em PIB e 14 mil novos postos de trabalho. (ANSA.it)

Ou seja: estamos falando de turismo, mas não somente de turismo. Estamos falando também de desenvolvimento local e de uma maneira mais equilibrada de fazer com que os benefícios da atividade turística alcancem diferentes partes do território.

E talvez essa seja a parte mais bonita de tudo. Quando você deixa um pouco de lado a lista tradicional de “lugares que preciso conhecer”, começa a descobrir um leque de outras possibilidades: uma pequena vinícola, uma oficina artesanal, um restaurante que preserva uma receita familiar, um mercado local, uma festa tradicional, uma igreja escondida, uma estrada entre montanhas, um produtor de azeite ou até mesmo uma conversa inesperada em uma praça.

Nada disso precisa aparecer entre as atrações mais fotografadas da Itália para fazer parte de uma grande viagem. Talvez esteja justamente aí a diferença entre visitar um lugar e vivenciar um território: permitir-se novas experiências e descobrir tudo o que elas podem transformar na maneira como enxergamos uma viagem.

Foto: Divulgação | Direto da Itália

Você não precisa abandonar seu roteiro tradicional, basta manter a mente aberta

É importante fazer uma distinção: undertourism não significa abandonar Roma, Veneza ou Florença. Se você sonha em conhecer Roma, vá a Roma. Se Veneza está na sua lista, conheça Veneza. Se quer admirar as obras de Michelangelo em Florença, não há motivo para abrir mão disso. O undertourism não precisa ser uma oposição ao turismo tradicional; pode ser um complemento. Imagine, por exemplo, uma viagem que combine alguns dias em uma grande cidade com outros dias em um município menor. Em vez de passar dez dias tentando encaixar dez destinos famosos, talvez seja interessante permanecer mais tempo em uma região e explorar aquilo que existe ao redor. Você pode conhecer o cartão-postal e, depois, descobrir o território que existe além dele. Vá à Veneza, mas não pense que a sua viagem pela região precisa terminar em Veneza. Conheça Florença, mas reserve um tempo para olhar para a Toscana que existe além do centro histórico. Visite Roma e, quando possível, descubra também pequenas localidades do Lácio. É uma maneira diferente de montar um roteiro e, em muitos casos, pode ser também uma maneira mais tranquila de viajar. Não existe uma fórmula única para encontrar destinos menos turísticos na Itália, mas algumas escolhas podem mudar completamente a experiência. Uma delas é simplesmente olhar além das cidades mais famosas. Pesquise pequenos municípios e borghi da região que você pretende visitar e veja quais possuem patrimônio histórico, gastronomia, vinhos, natureza ou tradições que despertem seu interesse. Outra possibilidade é procurar experiências. Em vez de pesquisar somente “o que fazer em determinada cidade”, procure também por produtores locais, mercados, vinícolas, oficinas artesanais, festas tradicionais, rotas gastronômicas e atividades ligadas ao território. E existe ainda uma mudança simples, mas poderosa: diminua o ritmo. Uma viagem pela Itália não precisa ser uma competição para descobrir quantas cidades você consegue visitar. Às vezes, ficar três dias em uma pequena cidade pode proporcionar muito mais contato com o lugar do que passar apenas algumas horas tentando cumprir uma lista de atrações.

Talvez esse seja justamente um dos maiores méritos do undertourism: nos fazer olhar novamente para algo que sempre esteve ali. A Itália dos grandes monumentos não desapareceu, e nem precisa desaparecer. Mas existe uma Itália inteira entre um cartão-postal e outro. Uma Itália de pequenas comunidades, histórias familiares, receitas regionais, vinhos, artesãos, paisagens, festas, pessoas e lugares que talvez você nunca tenha visto em uma propaganda de viagem. E os números recentes mostram que essa Itália menos evidente possui não apenas valor cultural, mas também um potencial turístico e econômico significativo. As projeções para os pequenos municípios e as análises sobre as áreas internas apontam para uma possibilidade de distribuir melhor os fluxos turísticos e criar novas oportunidades para os territórios. (Demoskopika)

Mas existe uma cautela importante. Não precisamos transformar cada pequeno borgo em uma atração turística de massa. Se o objetivo do undertourism é justamente buscar experiências mais equilibradas, a expansão precisa acontecer com planejamento, infraestrutura e respeito às comunidades que vivem nesses lugares. Caso contrário, o destino que hoje é procurado por ser tranquilo poderá amanhã enfrentar exatamente os mesmos problemas dos lugares dos quais os viajantes estavam tentando escapar.

Talvez seja esse o ponto mais interessante de tudo. O undertourism não precisa ser entendido como uma moda ou como uma tentativa de encontrar o “novo destino secreto” da Itália. Ele pode representar simplesmente uma mudança de olhar. Em vez de perguntar apenas “o que eu preciso conhecer?”, começar a perguntar “o que eu gostaria de viver?” Essa pequena mudança pode transformar completamente um roteiro. Porque a Itália é muito maior do que seus cartões-postais. Roma, Veneza, Florença, Milão e tantos outros destinos famosos continuam merecendo ser conhecidos. Mas existe uma Itália inteira esperando entre eles. E talvez a próxima viagem seja justamente uma oportunidade de descobri-la.

A Itália não termina onde termina o cartão-postal.

Undertourism na Itália: descubra uma Itália além dos destinos tradicionais